O que querem as mães?

Publicado em 17/04/2017 às 12h08

 

O QUE QUEREM AS MÃES?

Como psicóloga escuto muitas histórias de mães nos mais diferentes momentos da maternidade. No consultório tenho o privilégio de escutar as histórias sem filtro. Dos medos mais inconfessáveis, as alegrias mais mundanas. Ouço tudo com o maior respeito, porque sei a coragem que a gente precisa para confessar que está com medo, que não tem certeza, que errou, que precisa de ajuda. Mas ao mesmo tempo ouço com o que chamo do terceiro ouvido... um ouvido mais apurado, que ouve o inédito de cada história.

Sempre tive essa alma inquieta. Uma alma que precisa fazer sempre algo diferente. Precisa ir onde as pessoas não estão indo ainda, falar do que não se está sendo falando, essa busca incessante pelo novo. Essa busca me custou caro muitas vezes, mas é nela que me reconheço. É nela que sei quem eu sou eu, que me reinvento e sei que não estou repetindo o que já foi dito. Na clínica tenho muito esse cuidado com as pessoas que me procuram. Para ouvir o que já foi dito, não precisam de mim. Hoje com a internet você tem todas as respostas. Mas as mães continuam me procurando. O que elas querem ouvir? O que elas estão buscando? Como posso realmente ajudá-las sem me repetir? Esse talvez seja meu grande desafio. Como dar uma resposta para cada mãe mesmo que às vezes as questões sejam tão parecidas?

Tem uma peça do Rabino Nilton Bonder que eu gosto muito e já vi várias vezes, A Alma Imoral com a Clarisse Niskier. Nessa peça ela conta várias histórias, mas tem uma que eu adoro e que me ajuda a exemplificar  um pouco dessa experiência:

Uma pobre viúva judia vivia com seus filhos em um estado de miséria extrema, não tendo, se quer, o que comer. Vendo aquela situação, um comerciante deu a pobre mulher uma galinha para que ela a abatesse e alimentasse a si e aos seus filhos.

Porém, a mulher, muito religiosa, pegou a galinha e a levou ao velho e experiente rabino da vila para que este lhe dissesse se poderia ou não se alimentar da ave sem ferir as leis de Deus. O rabino pegou a ave e a levou à sua sala de estudos. Abriu livros e mais livros, olhou para ave e olhou para as escrituras, olhou para a ave e olhou para as escrituras... Depois de algum tempo, chamou sua esposa, que assistiu toda a cena, e lhe disse:

“- Mulher, leve esta ave à viúva e lhe diga que, segundo as escrituras, ela NÃO poderá se alimentar desta ave!”

A mulher pegou a galinha, levou a até à viúva aflita e esta lhe perguntou:

“- O que Rabi disse? Posso usar a galinha para saciar minha fome e a de meus filhos?"

“- Sim, você e seus filhos podem se alimentar dela!”

E assim a viúva saiu feliz.

O rabino, numa explosão de fúria, disse: “- Por quê não seguiu as minhas orientações, mulher? Por que disse o contrário do que lhe pedi para dizer?"

Sua esposa respondeu:

“- Marido, você olhou a galinha, olhou as escrituras e disse NÃO. Eu olhei a galinha, olhei a viúva ... e disse SIM!"

Aqui o CERTO não era o CORRETO!

Adoro essa parábola judaica e conto sempre para as mães que estão buscando a resposta para suas questões diante da maternidade.

As respostas não estão nos livros, não estão em mim, não estão nos especialistas. Claro que cada profissional pode ajudar muito, mas cada um têm o seu lugar, que é muito especifico. Cada mãe vai precisar achar as suas respostas também e confiar nelas.  Às vezes você só precisa aprender a olhar com o terceiro olho. E é nisso que eu posso ajudar. Apurar o seu olhar, o seu escutar para a relação com o seu filho, para que você encontre a sua resposta. Que não precisa se a correta, mas pode ser  a resposta certa para vocês.

 

 

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