Somos todas Tully!

Publicado em 24/06/2018 às 13h40

 

SOMOS TODAS TULLY!

 

(contém spoilers)

 

A verdade é que o pós-parto é uma porrada, não importa o quão preparada você esteja. Como psicóloga perinatal, o que eu mais testemunho no meu consultório é o desespero das mães com a dificuldade dos primeiros meses pós-parto, que as parece levar ao limite das suas forças físicas e psíquicas quase todos os dias.

Assim, o que primeiramente me surpreendeu, ao assistir ao filme Tully, foi o fato de uma mulher vivida e inteligente não se haver preparado para a chegada da terceira  filha: Marlo Tully chegou ao final daquela gravidez achando que podia dar conta de tudo.

 

Sim, é isso mesmo, o nome da protagonista é Marlo Tully. Para quem já viu o filme, mas não prestou a devida atenção à cena final (como eu, aliás), a Tully é a própria Marlo, a assoberbada mãe que chega ao terceiro pós-parto sem ninguém para apoiá-la – sem o suporte de uma comunidade, de uma família, de amigas. O seu irmão bem de vida até se ofereceu para pagar uma acompanhante, mas Marlo recusou. Até que a acompanhante lhe chegou, sob a forma de um surto. Tully – este é o seu nome, e, como descobrimos depois, o sobrenome da Marlo – é uma psicose pós-parto. Ela é o encontro de Marlo consigo mesma – mais jovem, livre, cheia de energia. Uma Marlo que se ama, que enxerga as próprias necessidades.

 

Será mesmo que o pós-parto precisa ser assim? Será que podemos fazer algo para evitar que passemos por esse desamparo? Até a maternidade, todas nós conseguimos ser mais ou menos autossuficientes, mas quando chegamos à maternidade, ou bem apendemos a pedir e receber ajuda ou nos esfolamos. A verdade é que a maternidade nos dias de hoje é muito mal amparada, e por isso, de certo modo, somos todas Marlo Tully.

 

Mas se não temos a continuidade de cuidados de que as gerações passadas dispunham, por outro lado nós temos mais liberdade para ser as mães que quisermos – desde que nos preparemos para obter um mínimo de suporte que nos permita fazer escolhas. Se nos deixarmos chegar, como Marlo, à beira do abismo, as possibilidades de escolha diminuem consideravelmente. Primeiro, é preciso saber pedir e aceitar ajuda, sem ter a sensação de fracasso. Marlo nem mesmo pede a ajuda do marido! É excelente a cena final do filme, quando afinal o marido percebe que lhe cabe ajudar mesmo quando não solicitado, para que a mulher não sucumba.

 

A solidão de Marlo é tamanha que ninguém à sua volta percebe a loucura que ela estava vivendo – e nem mesmo o público. Muita gente deixa o cinema confusa: Quem era Tully? Ela existia mesmo? Não, a Tully não existe, a Tully somos todas nós mulheres que, não sabendo pedir ajuda e achando que somos boas mães apenas se damos conta de tudo sozinhas, nos deixamos levar a uma tal dissociação das nossas necessidades que, dia após dia, nos vemos à beira do surto. Para a maioria de nós, felizmente, um surto metafórico. Para outras, nem tanto...  

 Tania Novinsky Haberkorn - Psicóloga Perinatal - CRP 06-42877

Acredito que esse começo pode fazer muita diferença na vida da família se bem escutado e acolhido. Quero poder ajudar quem precisa. Disponho-me a fazer atendimentos a domicílio quando necessário e atendo por Skype para quem mora longe. Meu consultório fica na Zona Sul em SP. Essa fase é cheia de novas demandas e desafios e espero que nenhuma mãe que precise de ajuda, fique desamparada. Meu Email: tanianhaber@gmail.com / cel. 11-9856 7025 
Meu site: www.psicoflow.com.br para quem quiser conhecer um pouco mais do meu trabalho.

 

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